sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018


Escolas podem surpreender!!

Neste carnaval de 2018 tivemos uma grande demonstração de educação por parte das escolas do grupo A do carnaval do Rio. As escolas carnavalescas mostraram que ensinar ou que as aprendizagens não estão tão somente e necessariamente no espaço escolar tradicional. Ambientes que naturalmente absorvemos e legitimamos que são as escolas, universidades, faculdades e equivalentes.
A leitura que apreendemos desta magnífica demonstração é que educação, ou as mais variadas formas de aprendizagens também passam pela proposta que as escolas apresentaram na avenida. O que notadamente foi traço, senão ideia central, na maioria delas foi a crítica contundente ao momento político e econômico que todos os brasileiros estamos passando, assim como reverenciar o que temos de bom na nossa cultura. 
Tanto nas alas que foram apresentadas com suas alegorias, com enredos lúcidos, pontuais e ferozes na crítica social, como a escola Paraíso da Tuiuti, a Beija Flor, trouxeram uma crítica importante para aplaudir de pé. Tudo isso associado à emoção que cada um colocou na passarela foram encenados de maneira poderosa e contagiante. É muito provável que muitos de nós nos sentimos representados, de alma lavada. Este é o país que queremos!  Irreverente, criativo, ousado e ético. Faz a festa, cai na folia, mas também mostra uma face politizada, libertando-se do cativeiro social.
Falta muito para gente mudar esse país. A festa, a farra da maioria dos políticos tem que acabar. As eleições estão chegando! Hora de mostrar nossa força, nosso poder nesta ação que é o voto!
Hora de colocarmos os blocos nas ruas que exijam mudanças e a boca no trombone, no megafone, no microfone, no fone! Até porque temos o que dizer e mostrar! Bora mudar Brasil!!



quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Por uma cultura da saúde emocional

Janeiro branco é uma campanha por uma cultura da saúde mental, que se dedica a convidar as pessoas a pensarem sobre suas vidas, a qualidade de seus relacionamentos, o quanto elas conhecem de si mesma, suas emoções, seus pensamentos e sobre seu comportamento. Muito importante para a questão lembrada neste mês, é que possamos manter viva essa cultura pelos meses do ano e porque não, pela vida toda.
A idéia é pararmos para lembrar, refletir e falar no cuidado que devemos ter com a nossa pessoa, com nossa saúde emocional. É hora de desmistificar a questão, despatologizar quem busca ou acessa qualquer tipo de tratamento psíquico. Se sabemos e experimentamos que os afetos afetam, devemos sem pudores dar a devida atenção a esfera emocional.
Partindo do pressuposto que o ser humano é um conjunto que compõem corpo, mente e outros ingredientes da cultura, a maneira talvez mais interessante, que temos para bem conduzirmo-nos é se conhecendo. Retomando a máxima socrática “Conhece-te a ti mesmo”. Temos a responsabilidade, cada um a seu modo, de investir para que essa máxima possa operar em nós. Como diz o ditado popular: “há vários caminhos que levam a Roma”, ou ainda, há vários caminhos que levam ao rumo. Sabemos que dar um rumo criativo e saudável a vida requer de nós uma boa dose de autoconhecimento. Lembro-me de quando dei início a minha análise pessoal. Investimento que produziu efeitos, arrancando-me da vacilação deletéria, jogando-me no mar das palavras, fazendo com que pudesse acertar-me comigo mesma, reaprender a desejar e abrir-me a experiência do convívio com o outro. Tarefa trabalhosa, mas necessária para que pudesse imprimir certa liberdade e ousadia na vida. O cuidado de si gera o cuidado na relação com o outro e consequentemente com a natureza.
Saúde emocional de um povo também pressupõem políticas públicas e psicoeducativas. Começar o ano, ou seja, janeiro com essa proposta é pensar que sofrimentos, violências e segregações podem ser significativamente minimizadas e a vida maximizada.


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Democracia, o que é isso?

Motivada pelas discussões sobre o tema e sentindo-me chamada a pensá-lo em tempos de grandes conflitos sociais e políticos. Ambiente propício para a reflexão, até porque não podemos dizer que na democracia não há conflitos. Conforme a Enciclopédia Larousse democracia é: “um regime político que se funda na soberania popular, na divisão de poderes e no controle da autoridade” ou ainda “um sistema político no qual o povo exerce sua soberania por intermédio de órgãos representativos”. Como podemos perceber o significado de democracia nos faz apreender que se trata de um dos sistemas políticos, onde o povo exerce sua soberania política, econômica e social. Pois bem, esse é o sistema político brasileiro. Mas se este é nosso sistema político, então porque percebemos nosso povo cada vez mais submetido? E, mais, como é possível uma democracia de fato, se temos um povo do qual a maioria carece de reflexão sobre si e o mundo onde vive?
Parece inevitável pensar no povo que elege vereadores, prefeitos deputados estaduais, deputados federais, governadores, senadores e presidentes. Do livro Origens do discurso democrático, do querido e mestre Prof. Donaldo Schüler, extraímos que a democracia na modernidade traz consigo reflexos de seu nascimento na Grécia antiga. Mais precisamente no modelo proposto por Górgias, onde a figura do orador esta em evidência. Ora, os oradores da modernidade são os políticos, vereadores, deputados, senadores, presidentes e as mídias. O instrumento para a realização do orador é ainda, como antigamente, a retórica. A retórica é um jogo que depende das habilidades dos oradores. Nesta esteira, a democracia pode ser pensada como um jogo entre oradores e audiência. Sabemos na carne, que é o jogo democrático que define os rumos de uma nação. Onde os oradores são atores que interferem no julgamento e nas escolhas da audiência. Hoje, vimos claramente como os ouvintes na sua grande maioria não participam da argumentação - aquela que faz as leis -, são passivos e não estão blindados de uma proteção contra esta retórica. Então, como fazer a audiência participar significativamente do jogo democrático? Penso que a resposta é: educação!


Artigo publicado na ZH de 09/01/2018.

quarta-feira, 1 de março de 2017

“Toda nação tem o governo que merece”

Esta frase é conhecida e dita por muitos de nós. Usá-la-emos para nosso contexto político atual. Então, que leitura fazer da atualidade e dos governos que temos ou que devemos temer?
Pergunta boa, resposta complexa. Outro dia Leandro Karnal, professor e historiador fez uma leitura muito interessante da realidade atual. Trouxe algumas questões, onde algumas ficaram reverberando em mim. Karnal lembrou o que Lacerda havia dito sobre o Brasil, que éramos uma nação honesta governada por ladrões. Até poderia ter honestos na nação, mas a frase merece uma reflexão maior. Pois deixa de lado aspectos importantes. Concordo com Karnal quando este contesta um tanto a frase de Lacerda quando diz: não existe governo corrupto e nação ética. Pois, a nação empresta inevitavelmente seu tom ao seu governo, ou seja, a nação não deixa de ser o espelho do governo. Ou mais, a nação escolhe seu governo. Sei que a nação pode ser conduzida pelas mídias, discursos subliminares e tal. Mas todo povo, nação tem o governo que merece.
Importante entender que há corrupção por todo lado, há um comportamento social corrupto. O curioso é que vemos a corrupção como um mal fora de nós. Como sendo algo que acometesse ao outro ou aos políticos. A corrupção não está somente num ou noutro partido político. Ela está no ser humano, no sujeito.
Então não temos solução?
Não gosto desta palavra solução, por soar radical demais, buscar a solução pode ser uma tarefa impossível. Fadada ao fracasso. Talvez o fundamental nessa tarefa é combater o mal, ou combater alguns males da nossa cultura, como por exemplo: a misoginia, a corrupção, o racismo, a homofobia, a cultura do estupro, a cultura do medo e muitas outras culturas opressoras. Trata-se de um processo longo e necessário. Podemos estar a passos lentos, mas estamos andando. Hoje temos milionários, muito ricos e brancos na cadeia. Isso é bom, há algum tempo atrás isso era impensável. Se começarmos a respeitar o outro, seja quem for, é indício que temos jeito sim.
Uma questão importante de ser pensada é que na medida que temos a abertura e voz para vários movimentos sociais relevantes, temos também a construção de etapas para que estes movimentos se instaurem. Como as etapas da criminalização, da resistência e da celebração.  A celebração é fundamental, para restaurar a identidade dos movimentos, abrir espaços para ouvir as vozes, cores e nomes aos grupos. Mas a resistência existe e é real. Isso se faz na voz dos conservadores e dos preconceituosos. A criminalização estamos vencendo. Importante que estes discursos apareçam e que possam ser interrogados. Precisamos falar disso. Ou seja, combater fanatismos e absolutos com argumentos. A cultura do medo é o que temos de pior, pois atrás do medo temos, na maioria das vezes, grandes preconceitos.

Resta-nos escutar e respeitar as várias vozes, cores e sabores... o diálogo é o que temos de melhor, mesmo que este diálogo seja com um fascista.

Artigo publicado na ZH de 23/06/2017

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O mau uso da inveja


A inferência da economia social na economia libidinal é uma realidade e temos que lidar com isso. Até porque o pano de fundo de todas as engendrações humanas é o econômico.  Há atualmente um comércio de imagens, um convite ao abuso das imagens ou do campo imaginário.
Imaginário, Simbólico e Real são três registros caros a psicanálise lacaniana. Bases de todo o desenvolvimento, compreensão e prática psicanalítica, em especial a lacaniana. Lacan se diz freudiano, então nos dizemos freudolacanianos.
Muito do que faz problema no nosso convívio diário, está no campo das relações humanas, ou na economia das relações e o objeto em causa.  E este objeto toma várias, ou inúmeras versões. Por exemplo, ser excluído por não possuir o objeto de desejo de uma maioria. Desejo este pré-dado, encomendado pelo discurso capitalista que dita o que deve ser consumido. Entenda-se que discurso é aquilo que engendra um modo de ser e estar no mundo. Não ter a coisa, ou o objeto que representa um lugar de reconhecimento na cultura, traz prejuízo e possibilita o mau uso da inveja.

A passagem da representação da coisa para a representação da palavra é o trabalho na clínica psicanalítica, ou mais precisamente de uma análise.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Servos

Somos servos do discurso
Ou de um curso que nos
Leva ao nascimento
Depois...na vida o trabalho será 
tirar o cimento desse
Nas  cimento 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

  

As obras de arte ajudam a tornar tangíveis as emoções.



A natureza seleciona pela sobrevivência, o ser humano pela aparência.



Muitas vezes o amor termina empobrecendo a palavra, e não por sua causa se leva os méritos do gozo.
Não temos que saber de quem nos enamoramos, senão contra quem. Na verdade o que amo é que me amem. 

J. Lacan

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Des coberta

A descoberta freudiana do recalque e de seus efeitos na produção de sintomas impõe uma direção de tratamento que não deixa o psicanalista neutro.  O coloca, de certa forma, numa posição que diz da ética proposta pela prática. Numa análise o psicanalista quer algo, suspender o recalque. Por aí, suas intervenções, sua técnica, a interpretação e as construções que irá propor implica que se posicione acerca de uma questão que os filósofos desde sempre colocaram: é preciso ou não renunciar aos seus desejos?

O segredo dos políticos moralistas sempre foi incitar o sujeito a retirar suas fichas do jogo do desejo. Essa acusação não pode ser feita a Freud, pois suas produções consistem em dar ênfase aos danos provocados à renúncia das pulsões. Com isso podemos dizer que o mal estar na civilização é redutível ao mal estar do desejo.